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Seu copo avisa.
A grande maioria dos sistemas de treinamento baseia-se na divisão das intensidades de exercício em faixas pré-determinadas sendo seus limites geralmente estabelecidos por valores percentuais fixos relativos à frequência cardíaca máxima estimada.
Entretanto, para que seja possível sua organização racional, é necessário que as faixas de intensidade sejam baseadas em marcadores fisiológicos concretos, os quais devem ser individualmente identificados por meio de testes específicos. Um destes marcadores são os limiares ventilatórios.
Os limiares ventilatórios são pontos de transição metabólica a partir dos quais, durante o exercício de intensidade crescente, a ventilação pulmonar sofre aumento desproporcional em relação ao consumo de oxigênio, sendo estes pontos fortemente associados aos limiares de lactato. O primeiro limiar ventilatório (ou LV1) está associado a um incremento inicial na concentração de lactato durante o exercício ao passo que o segundo (ou LV2), representa a intensidade a partir da qual o organismo se torna incapaz de compensar a acidose e assim, tolerar o esforço por períodos prolongados.
Desta forma, para a precisa prescrição do treinamento físico é de fundamental importância que sejam determinados os valores de frequência cardíaca (assim como das velocidades de corrida/marcha) correspondentes aos limiares ventilatórios. Nesse sentido, pode-se destacar o exemplo da periodização do treinamento de atletas de classe internacional em modalidades de endurance (maratonistas e corredores de fundo, em geral), a qual é realizada seguindo-se o modelo polarizado de distribuição das intensidades de treinamento. Neste modelo, preconiza-se que os atletas permaneçam a maior parte do tempo de treino semanal em uma intensidade inferior à correspondente ao primeiro limiar ventilatório (zona 1: aprox. 75% do tempo), em comparação àquela situada entre o primeiro e o segundo limiar (zona 2: aprox. 10% do tempo), e à intensidade superior ao segundo limiar ventilatório (zona 3: aprox. 15% do tempo semanal).
O modelo polarizado, apesar de aparentemente incoerente por se caracterizar pelo reduzido volume de treinamento na intensidade em que geralmente se situa o ritmo de prova (zona 2), permite ganhos no desempenho de endurance significativamente superiores aos obtidos com a concentração de um maior tempo semanal na zona 2 em detrimento da zona 1 o que, provavelmente, está relacionado ao maior risco de sobretreinamento (overtraining) associado a este último sistema de treinamento.
Tipicamente, as intensidades correspondentes aos limiares ventilatórios são determinadas a partir da interpretação de dados coletados em testes ergoespirométricos (análise de trocas gasosas em exercício), os quais são, geralmente, conduzidos em ambiente laboratorial utilizando-se bicicleta ou esteira ergométrica. Entretanto, além de implicar em maior custo para a sua realização, a ergoespirometria de laboratório pode em determinadas situações distanciar-se da realidade específica da atividade em questão. Nesse sentido pode-se destacar por exemplo o futebol, que é uma modalidade praticada sobre uma superfície distinta (gramado) utilizando-se um calçado diferenciado (chuteira), ou até mesmo as corridas de rua e pista, para as quais não podem ser controladas as condições ambientais nem desprezado o impacto da resistência do ar sobre o esforço desempenhado pelo atleta.
A análise tempo-frequência da variabilidade da frequência cardíaca, conttin e colaboradores (2007), apesar de não substituir a ergoespirometria no âmbito da determinação do consumo máximo de oxigênio (VO2max) permite que, analisando-se a frequência cardíaca coletada batimento a batimento através de frequencímetro (por exemplo, o modelo RS800CX da Polar), sejam precisamente determinadas as intensidades correspondentes aos limiares ventilatórios em testes incrementais os quais podem ser realizados em pistas, ruas, campos de futebol e outras superfícies.
Fonte - http://www.proximus.com.br/news/?q=node/116
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